quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
RUA DO TERESÓPOLIS
(a meu pai)
Lembro-me de ti
nestas tardes de junho,
quando a chuva cessa,
o sol se insinua
e um vento gentil
tudo afaga com mãos frias.
Evocavam-te a infância, dizias,
na cidade que não foi tua,
e foi vasto país da tua fantasia
na rua simples que , triste, um dia deixaste,
endereço perene do coração.
Vejo-te correr enquanto o olhar
de tua mãe,como sombra benfazeja,
te segue.
Vejo tua travessura e teu pai,
juiz austero, que,sem resistir à cumplicidade
do menino que habitava-lhe a memória,
absolve-te na sentença de um sorriso.
Vejo a menina que reinou contigo
e, na ciranda,ao tomar-te a mão,
tomou-te as linhas da palma.
Vejo-vos, deixando para trás
fogueiras juninas e trezenas,
seguir pela rua que alongou-se,
converteu-se em larga estrada
e veio dar nesta saudade.
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