segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
NOITE NA CIDADE DA BAHIA
Dorme no porão dos saveiros
a distância.
Rondam velas amainadas
ventos fortes que latejam
no seio das virações.
Vagas que banham a praia
conhecida trazem em sua escuma
o mistério de outros litorais.
Ancorada na noite presente,
a cidade revê em sonhos a aventura de
quem a trouxe no ventre das caravelas,
no suor dos marinhneiros
que arrostaram seres tétricos,
habitantes das profundezas do medo.
Tantos que as ondas tragaram
são nomes e histórias perdidas!
Tantos que aqui chegaram,vencendo pavor e ventos,
também foram olvidados, embora a tenham erguido
na terra ainda habitada pelo gentio adverso!
Fizeram cárceres, templos, sobrados,pontes e ruas,
fizeram fortes vigiantes
e a muralha que a cingia
para evitar que as setas que transportavam a morte,
em finas pontas virulentas,
adentrassem o peito luso
que a Cruz de Malta impelia.
Agora, em sua noite,
correm céleres veículos,luzes tantas a alumiam,
nos esgalhos que partiram do burgo que foi um dia.
As gentes que nela assistem,
na azáfama da metrópole que sobre as matas avança,
pisam nas pedras tingidas
pelo sangue negro dos cativos,
amalgamado em solares e igrejas
a óleo,pedras e areia.
Atravessam, indiferentes, a praça
onde pereceram aqueles
que ousaram sonhar
o pesadelo da Coroa.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário