segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
NOSSA CIDADE
(a Fátima e Verbena)
Sobre nossa cidade ergueram outras cidades.
Mas, a nossa é cidadela onde
aquartelou-se a alma.
De seus torreões eternos, olhos que
veem cerrados montam guarda
das alturas.
À noite,pétreas flores,de antigos
alicerces, que buscam sua seiva no
pélago da memória,exalam sutil
perfume que envolve,num abraço
estreito e diáfano, a urbe estranha
ao coração.
Vemos o que não veem muitos que a percorrem:
o córrego que murmura sob a crosta
negra do asfalto muda-se em rio generoso,
muda-se em amplo sobrado, que sorve
pelas janelas belas manhãs de dezembro,
a ruína que a insidiosa hera estreita.
INTUIÇÃO
(a tia Zélia, Espinosa e Schopenhauer)
A vida vencerá.
No âmago mais recôndito,
onde vibram partículas sem nome,
a vida sempre vencerá.
Isso diz-me o sol,que,ao se pôr,
renasce no esplendor de auroras
distantes.
A vida vencerá.
Quando passaste,não morreu, em ti, a vida.
Somos o caminho,somos a ponte sobre o enigma,
somos servos da vontade profunda
que pulsa no coração do universo.
A vida vencerá.
No pranto alegre dos que chegam,
quando choramos aqueles que se vão,
no desígnio das sementes, no musgo das pedras,
nas raízes que abraçam as ruínas,
a vida sempre vencerá.
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