terça-feira, 9 de dezembro de 2014
PRESSÁGIO
(a Ynez)
Pedi-te em noites pretéritas
a um deus que quase inventava,
e tu não vinhas, tardavas.
Imolei nos templos de tal deus
aqueles que fui,porque amava.
Contida paixão,ígnea,lava.
Perto de ti eu passei
quando outros nomes usavas,
e,embora não visse teu rosto,
o teu olor me tomava.
Alto estandarte alongava-se,
ultrapassava o horizonte,
eu, com os olhos da fronte,
sem conhecer-te, enxergava.
E, mesmo,beijei tua boca
em bocas sem tua palavra
e,mesmo, ouvi o teu nome
no vento que não passava.
Cada minuto da espera,
na semente de altas árvores,
teu corpo moreno talhava.
Agora que te encontro
a mão eu não levo à aldrava.
É como se já conhecera
a casa que te abrigava,
e nela entro sem licença,
não há paredes nesta casa.
Ela é feita da certeza
de um tempo que procurava.
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