quarta-feira, 26 de novembro de 2014
SINO DO DESTERRO
( a meu pai)
Doce sino do passado,
dobras em meu coração.
Marcas horas que passaram,
horas que não passarão.
Eras meu companheiro antigo,
quando folgava com amigos
em noites que encerravam
cálida luz de verão.
Hoje, quando tu soas,
em minha alma ressoa
a voz daqueles que vivem
nas horas do coração.
DESCOMPASSO
( a Ynez)
Longe das enseadas tranquilas da solidão
erro em tua distância.
A escuridão da noite brota lentamente
de grutas profundas,
auroras urgentes sangram em teu coração.
Teu tempo é amanhã,
teu lugar é sempre além.
VIAGEM A LENÇÓIS
( a Luís Machado)
Esta viagem não faremos juntos , caro amigo,
esta sem notícias nem postais.
A que deixa nas estações destas paragens
perguntas sem resposta
e o lamento dos trens a ecoar em vales ermos.
Num tempo já distante, vimos
as águas nos ensinar a vida,
correndo entre pedras rijas.
Hoje te vejo passar,
confirmando a lição dos rios e regatos.
O mar que te recebe, amigo,
é para nós todo abissal.
Que seja ele para ti
a visão do que procuravas,
e, se nele nada se vê,
que seja,então, o cessar de tudo que aqui
foi angústia, dor e desilusão.
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