quinta-feira, 27 de novembro de 2014
DÉDALO
(a Ynez)
A luz migrava dos campos,
quando neles espraiou-se tua aurora.
Eu, que não cria em
verdades, pus em altares
as mentiras do amor.
Vi no deserto miragens,
bebi a areia de oásis
que vicejavam no coração.
As mãos,calejadas na
construção de muralhas,
tornaram-se leves e macias
para percorrer teu corpo
em busca de labirintos.
DESENCONTRO
Um rio cortou-me a alma
sem pontes nem compaixão.
Meus olhos desceram ao pego,
mergulho na solidão
de quem procura caminhos
nas sombras de seu desvão.
Com a alma fendida
ao meio,
quis vadear o veio,
e vi que seria em vão.
O veio era rio fundo,
o rio era a amplidão.
Lancei então muitos gritos,
que atroaram o coração,
e , no fundo dos espelhos,
responderam aos meus anseios
risos frouxos de truão.
INFÂNCIA
(a Caetano Veloso)
De onde vim nada partia,
vasta região da alegria,
pátria sem lei do coração.
Terra em que as horas são serras
fincadas na amplidão dos átimos.
Trouxe de lá a saudade,
que são os olhos do poeta na canção.
Vou, por trilhos que rebrilham,
ao recôncavo da alma.
Nele, verdes canaviais vicejam.
Dele, extraio o doce sumo
que atenua a dor amara.
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