quarta-feira, 26 de novembro de 2014
A CRIADA, A MORTE E O MAGISTRADO
( a Diana)
A morte, irreverente,
tirou-lhe do peito as medalhas.
Tomou-lhe a borla, a toga e todos
os títulos.
Despido de tudo,
sem brocardos e palavras raras,
sem discurso,
naquele instante,
era apenas o menino que
nascera num longínquo fevereiro.
Foi assim que ela, vencendo
grandes distâncias,embalou-o,
chorando,
para entregá-lo a sonhos que jamais se contam,
e que , em breve, também
ela sonharia.
LIMITE
Onde fui buscar-me,
a vida era litoral.
As ondas não cessavam
de molhar-me os pés,
insistindo em convites sempre iguais:
vem que estas águas são tuas,
são elas teus sonhos de paz.
SILÊNCIO
( a Baudelaire)
Fez-se uma treva
tão densa,
que nem a noite sem lua
pôde iluminar meu verso.
Eu e o tempo
nos unimos
sem palavras.
No templo do poeta
não havia ecos,
só a chama de uma paixão ardia
e queimava meu corpo em sacrifício.
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